segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Chico, um machista em fúria!

Ontem fui feliz e sorridente ao show do lindo, charmoso, sofisticado, elegante, tudo de bom, Chico Buarque (Bruno, por favor não fique com ciúmes! Ele é inatingível).

Chico novinho e com camisa do Flu! Meu Deus...
Com sua timidez peculiar, ele entrou no palco e realmente deu um show. Eu já esperava por isso, mas ele foi ainda mais além. Chico mostrou seu lado rude, sem medo de dizer palavras pesadas, de cantar frases chocantes, de repetir em refrão barbaridades machistas sobre uma mulher. Ele não estava errado, eu que era ignorante e não pude deixar de me surpreender.

Quando decidi ir ao show, imaginava algo como um banquinho, violão e uma voz única cantando com proeza letras de uma inteligência encantadora. Versos minuciosamente contruídos com tanta sabedoria, que seria impossível não se apaixonar ainda mais por Chico Buarque. É um gênio, mas isso eu já sabia. O que eu não sabia é que Chico era capaz de cantar e vibrar com "Geni e o Zepelin".

Acho que esta deve ser uma de suas músicas mais famosas porque a plateia simplesmente foi à loucura. Mas eu estava totalmente por fora e na minha mente careta e seduzida pela doçura natural de Chico, me choquei, me assustei, não acreditei e por fim, ri, apenas ri, totalmente abobalhada. O que aconteceu com o mais romântico e amante dos homens?

Timidez e elegância foram por água abaixo. A cada suspiro indignado que eu bufava, ele cantava: "joga pedra na Geni, joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!". Oi??? Foi isso que eu ouvi?? Não sei quem é Geni, mas coitada dela! Nenhuma mulher é feita pra apanhar, nem mesmo pra cuspir. Que discrepância imaginar Chico Buarque cuspindo em alguém! Não sei em que contexto ele escreveu essa música e me senti uma total ignorante por nunca tê-la ouvido, mas aquelas palavras não entraram na minha cabeça.

No fim das contas, a música de Chico é tão fora do senso, que fica realmente engraçado presenciar o mais tímido dos tímidos soltando o verbo para uma multidão e se divertindo com o provável único momento sem pudor de sua vida. Afinal, Chico também é gente e passar a vida numa constante elegância deve ser um saco. Quem diria que perder as estribeiras, quebrar o barraco e incorporar um machista mal educado daria mais charme ainda ao Chico. É... Isso é para poucos. Poucos como Chico Buarque.

Infelizmente a foto ficou longe, mas lá está ele com seu banquinho e violão metendo o malho na Geni.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

George Clooney é sempre George Clooney

Não assisti ainda o filme "Tudo pelo Poder", mas já ouvi falar que é muito bom. De qualquer forma, confesso que me bateu um certo desânimo quando soube que um dos atores é George Clooney. Calma, não se assuste! Eu sei que é praticamente uma regra todas as mulheres do mundo serem loucas por ele e que realmente, o cara tem um quê de charme, mas não adianta, não consigo nem olhar para ele, muito menos ouvir sua voz e por isso, assistir um filme do qual ele é protagonista, me faz sentir uma pontinha de angústia.

O problema do George Clooney é que ele é sempre ele. Vou explicar: o cara é um ator, então teoricamente, deveria ser um verdadeiro camaleão, capaz de fazer a plateia acreditar que ele é realmente o candidato à presidência dos Estados Unidos num filme e no outro que é um dos cabeças de uma quadrilha que rouba cassinos. São personagens bem diferentes né? Mas sendo médico, presidente ou ladrão, o George Clooney está sempre com aquela cara e olhar de George Clooney. O tom de voz, o ar de sabichão, sempre dono de uma inteligência superior, o sorrisinho canastrão, charmosão, espertão. Esse é George Clooney em TODOS os filmes.

Sorrisinho de canto do tipo "sou charmoso"
Para explicar melhor, um ótimo exemplo é Tom Cruise. Ok, também acho ele uma graçinha, mas seja interpretando o verdadeiro macho alfa,  mito da sagacidade em Missão Impossível ou o coitadinho com o rosto deformado em Vanilla Sky, não adianta: ele é sempre o Tom Cruise. Ele não consegue se desmembrar do ar de galã e olhar 43 do Tom Cruise. Até mesmo em Colateral, em que ele interpreta um personagem envelhecido, gordo e com cabelos grisalhos, o estigma Tom Cruise continua lá estampado na tela.

Sente o olhar 43!
Muita gente vai querer me matar agora, mas Robert De Niro também é sempre ele. É tão mal humorado, machão, viril e inteligente que acaba sendo um personagem hilário em qualquer filme que atue. É excelente ator, não tenho dúvidas disso, mas a interpretação é sempre a mesma. Acho que em algum momento descobriram esse lado cômico dele e funcionou tão bem, que ele não largou mais. Pode ver Máfia no Divã, Entrando Numa Fria e muitos outros. Robert De Niro é sempre Robert De Niro.
De Niro sempre de olho em você
Se olharmos para os elencos brasileiros, também não faltam atores caricatos por aqui. Vera Fisher, Marcos Pasquim, Bruno Garcia, Christiane Torloni, Claudia Jimenez, Edson Celulari, Eri Johnson e muitos outros.

Para quem eu realmente bato palmas e venero é Johnny Depp e Tom Hanks. São personalidades tão diversas em cada filme, que ninguém premedita como realmente são na vida real. Eu pelo menos não faço ideia e por isso, são muito mais que atores, são artistas. Sim, porque conseguir a mágica de abdicar de sua própria personalidade, manias, expressões cotidianas e quaisquer outras marcas de sua essência e encarnar praticamente uma outra alma, é surrealismo. É arte pura.





terça-feira, 3 de janeiro de 2012

E assim começou 2012



Não usei vermelho, mas 2012 começou com pura paixão. Depois de um ano cheio de encontros e desencontros, expectativas amorosas e desilusões, aos trancos e barrancos e de forma subitamente inesperada, sobrevivi e o novo ano começou muito melhor.

Estava tudo certo para inaugurar 2012 de rosa. O vestido era incrível, perfeito para amar e ser amada. Mas como os dilemas não me abandonaram nem na virada, arranquei-o do corpo com todo o ódio de uma mulher que se sente enorme de gorda e dei a largada para a saga atrás de uma outra roupa com poderes de emagrecimento (tipo ilusão de ótica), que fosse nova e com cor de reveillon, ou seja, impossível!

Revirei todo o armário, gritei, esperneei, fiz poses no espelho tentando enxergar algum ângulo favorável, mas nada dava certo. Eu estava uma baranga! As mulheres sabem bem o que é isso: um belo dia você acorda e o espelho distorce daqui, aumenta dali e pronto, você acredita piamente que é a garota mais pavorosa do mundo. Pois é, esse dia para mim foi exatamente o 31 de dezembro.

Depois de arrancar quase todos os fios do meu cabelo, num esgotamento total e irreversível, me rendi ao único vestido que não queria usar: o verde com azul. Quem em sã consciência passa o reveillon com essas duas cores? As pessoas no geral querem paz. Fora isso, só trocam o tradicional branco se for por um vermelhão, amarelo ou o maldito rosa que tanto me esfolou a paciênca. Mas verde e azul?? Esperança e saúde?? Sim, eu sei que também são importantes, mas eu queria mais, muito mais! Queria intensidade, vibração, força, uma cor totalmente explosiva e arrematadora de bons fluidos. Verde e azul são muito amenos, mas quando só tem tu, vai tu mesmo.

O que eu não sabia é que eu não precisava vestir vermelho ou rosa para ter um ano apaixonante. Mesmo se tivesse nua, o pensamento estava tão derretido pelo namorado, que não existia outra alternativa que não fosse um novo ano repleto de amor e paixão. As cores eram totalmente dispensáveis para um casal tão apaixonado.

A presença surpresa de algumas das melhores amigas também fez da noite uma virada toda especial. As irmãs Muller (Carol e Manu) fizeram meu coração saltitar de alegria quando ligaram avisando que íriam na mesma festa que eu. Por outro lado, Carol Guimarães (sempre a melhor companhia) me proporcionou momentos hilários e registrou fotos históricas e desculpa, mas impublicáveis. As amigas portugas se concentraram em outro grupo, mas também não deixaram de me surpreender com abraços genuinamente amorosos. 

Por uma noite, 2012 me fez acreditar que o mix de azul com verde é o mais novo e intenso dos rosas. Todas as formas de amor de uma vez só. Seja entre amigos, irmãos ou amantes, all you need is love (já profetizava John Lennon).

Dri e Dé arrasando na pista

Amor!

Carolinas lindas!

Embriagadas de alegria!

Show time!

Tudo rosa em 2012!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Qual cor de calcinha eu vou usar?

Que pergunta mais desaforada! Além de ser totalmente invasiva e as pessoas não se tocam disso, acho uma auto-tortura essa história de ter que decidir que cor de calcinha vai usar na virada do ano.

Só porque estou namorando significa que não quero mais paixão? Sim, eu quero muito mais, baby! É vermelha a cor que eu quero usar! Mas e o amor? Um dia a paixão acaba ou pelo menos diminui, todo mundo sabe disso. Mas o amor não. É pra sempre. Ok, então vou de rosa. Huuummm mas to precisando tanto de dinheiro... Calcinha amarela então e não se fala mais nisso! Poxa, mas de que adianta ter rios de dinheiro, amor e paixão caliente se a saúde está deixando a desejar? Taí, adoro azul e vai me trazer toda a disposição para encarar 2012 em ótima forma. Olhaaammmm, vou ficar gostosona!

Está decidido! Nada de dilemas nesse fim de ano. Que avanço! Pois é... Ainda tenho esperança de me manter sem dilemas no próximo ano todo também. Ser mais decidida, ter autoconfiança, acreditar que pode dar certo, enfim ter esperança. Mas calma aí! Esperança? Meu Deus, preciso garantir que eu tenha esperança, ânimo, vontade de acreditar nas minhas metas. Mas aí a cor da calcinha tem que ser verde. Isso muda tudo.

Sabe do que mais? Eu vou usar logo uma calcinha preta e boto um fim de vez nesse último dilema do ano. Totalmente revoltada com a minha incompetência em decidir a porra da cor da calcinha. Se bem que ouvi falar que preto significa mudanças radicais. Ai meu Jesus Cristinho, não sei se quero ter mudanças tão radicais assim. Será que não vale então um cinza escuro, quase preto, tipo só pequenas mudancinhas e pronto? Huuumm não sei se vale à pena arriscar.

Mas também que coisa mais chata essa história de ter que escolher uma única cor! Queria um arcoíris logo, mas não sou gay heim. Na verdade, não quero mais pensar nesse estresse! Não quero compartilhar essa tortura íntima! Quero ter um bom ano e ponto. Com calcinha ou sem calcinha, de vermelho ou de bege, o que for pra ser em 2012, será. Adeus às superstições e adeus aos dilemas de 2011. Que o próximo ano seja bem colorido para todos nós!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Um adeus à Estação do Corpo

Soube outro dia que a melhor academia do Rio vai fechar as portas. Parece fútil falar desse assunto, mas tantas coisas aconteceram naquele lugar, que não posso deixar meu adeus passar em branco.

Aos 14 anos de idade, uma pirralha metida à besta, entrei pela primeira vez naquele enorme salão espelhado e me espantei com o novo mundo que me aguardava. As bicicletas tinham TVs acopladas (isso era o máximo para a época), as salas eram enormes e coloridas, os mais variados e modernos tipos de aparelhos se mesclavam entre pessoas bonitas e muito bem vestidas. Parecia que eu estava num mix de glamour hollywoodiano envaidecido com a brisa do Rio. Me encantei.

Minha mãe decidiu no mesmo instante: nossa família será sócia desse paraíso. A matrícula na época era uma baba, mas todas as instalações brilhavam de tão novas. As priscinas com restaurante lembravam um clube e a ideia de fazer uma academia aberta, com ar livre à vontade para relaxar depois da corrida e tomar um suco fresco lendo Jornal do Brasil, que se espalhava pelos cantos como cortesia da casa, era simplesmente genial! Ainda por cima, em plena Lagoa Rodrigo de Freitas.

Minha mãe aproveitava ao máximo, fazia todas as aulas. Fez novas amigas, ganhou clientes, conquistou um corpinho invejável e arrancou olhares admirados por onde passava. Quanto a mim, naquela época só pensava em estudar. O Colégio Santo Agostinho me proporcionou algumas tantas horas de malhação porque o clima na Estação era tão gostoso que não tinha nada melhor do que acelerar no transport ou na bicicleta fazendo equações de álgebra.

Gisella Amaral com toda sua simpatia contagiava sorrisos pela academia. Os funcionários pareciam amar o que faziam e te recebiam com tanto carinho que era difícil não se sentir confortável e sempre bem vindo. Os professores eram os melhores do Rio. As mulheres que malharam lá nunca se esquecerão das aulas de suar a alma do professor Beto.

Na inauguração da Estação do Corpo, borbulhava ali o início da reviravolta do até então decadente Rio de Janeiro. Era um primeiro sinal de que alguém queria apostar alto na cidade maravilhosa. Ricardo Amaral enxergou longe! Hoje o Rio é uma das cidades mais cobiçadas do mundo. Tão desejada que teremos que ceder o espaço da Estação do Corpo para que as pessoas possam degustar ainda mais as maravilhas da Lagoa.

Por mais triste que seja o fim de um espaço com tanto sucesso e histórias, ninguém mais quer ver um muro escondendo uma parte de um dos cartões postais da cidade. Com o fim da academia, o governo vai ampliar o Parque dos Patins. Se for para nos maravilhar ainda mais com essa cidade, sinto pena, porém orgulho de contribuir com a nossa beleza e deixar um doce adeus à Estação do Corpo, que é muito mais do que só "do corpo", é também dos amigos, da melhor equipe de profissionais do Rio, do serviço impecável e do aconchego e excelência num único lugar. Na verdade, um lugar único.