quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O bagulho é doido


Um Instagram matador. Combos de vodka, mulherada, playboyzada, uma explosão de noitadas. A vida e a obra de Carlos Henrique vão muito além de casa, trabalho e Baixo Gávea. O cara desafia qualquer limite do que seria uma rotina social normal. Festa é todo dia e a rede social tá aí, claro, pra divulgar as boas do nosso camarada. São sinapses e mais sinapses do que há de mais profundo e consistente em pool parties, boat parties, mountain parties, beach parties, all shit parties. Nas legendas, um único lema: o bagulho aqui é dooooido!

Uma vida inteira feita de likes e hashtags. O bonitão não tá de bobeira. Em pouco tempo chegou a 10k seguidores! Uooooouuuuu, sente o drama, broooother! É muita "tiração" de onda! Dizem que metade é comprada, mas sinceramente, CA-GUEI! Neguinho tá seguindo? Tá dando uma moral lá nos likes? Então já é!

Mais conhecido como Brodão pelos malandrecos do Leblon e adjacências, nunca imaginou que sua fixação pelo Instagram lhe causaria problemas. Tudo porque um dia percebeu que as fotos da galera com os clássicos comentários "patronagem reunida" ou "só a diretoria" já estavam meio manjadas. O novo plano infalível seriam as selfies com caretas do tipo "sou muito crazy". Não é que a parada explodiu? Mais de mil likes por foto. Porém, como diz seu dialeto, #sóquenão. É que tamanha popularidade acabou proliferando uma imensidão de plágios em toda a internet. Que vacilação...

"Carlos Henrique está se sentindo boladão", diz o Facebook. E agora? As selfies foram tão banalizadas que, em pouco tempo, os 10k viraram 5k e assim foi ladeira abaixo. Apelou então para um aplicativo x9 que delata todos os ex-seguidores, mas se deparou com uma lista interminável de traíras. Anotou um por um e deu o troco: unfollow em geral! Qual foi da parada, irmão? Bando de comédia! Ex-seguidor é inimigo, tá ligado?! É papo de tiro, porrada e bomba! Terror e pânico! Faixa de Gaza!

A cada nova party que surgia era mais um ex-seguidor que tomava porrada, até porque papai é desembargador e aí sabe como é né? Ele só não contava com uma queda tão sinixxxtra de likes e consequentemente, uma cambada cada vez maior de comédias pra tomar pescotapa. Pô, maior esculacho com o cara.... Em poucos meses seu Instagram mais parecia uma página fantasma. Decidiu então detonar seu perfil. So late, darling... Arrumou tanto caô que os promoters passaram a vetá-lo das all shit parties.

Dizem os ex-camaradas que Brodão virou maior sujeira. Era hora então de varrer tudo pra debaixo do tapete. Sumiu das redes sociais, dos exclusives sunsets e até dos rooftops, quem diria... Não se vê mais o garotão nem ali de rolézinho pelo BB Lanches. Neguinho já tá tirando o cara até pra maluco. Vê se pode? Falam que agora ele tá metido nesses lances aí sinixxxtros de terapia, psicologia, médico de cabeça e o escambau. Mas verdade seja dita, ele avisou. Afinal, o bagulho é dooooooido, broooother!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O vício


Confesso, eu estalo dedos. Já tentei diversos truques pra me livrar da dependência, mas nada foi capaz de vencer esta luta. E olha que não me falta cartão vermelho. É que ninguém fica indiferente diante da sinfonia que componho. Já me avisaram que é feio, aflitivo, deprimente, mas não me aguento, é um fardo, um tormento. São cerca de 240 estaladas por dia, portanto dez estalos por hora. É, eu também estalo os dedos dormindo. Infelizmente o nível da doença já está bem avançado.

Nas inúmeras tentativas de rehab apelei pra tudo. Porém, o prazer daquele pá pá pá entre os ossinhos é como arrematar um gol aos 47 do segundo tempo. A comparação futebolística não é à toa. É que eu e a seleção temos um adversário em comum: a temida tensão. Por culpa dela, nestes tempos de Copa, talvez eu tenha triplicado as estaladas. É provável que até a final eu chegue à overdose de estalos, quebre os dez dedos, adquire uma artrite para o resto da vida. 

Não chego a ser uma ogra estaladora de dedos, afinal respeito os ambientes não muito propícios para tamanha "delicadeza". Jamais alguém me verá esmigalhando as mãos num jantar romântico ou numa entrevista de emprego. Eu realmente me contenho. Mas e quando rola aquela esticada na noite? Logo com ele que pensa estar acompanhado de uma donzela tão graciosa, na verdade uma maníaca obsessiva compulsiva. Pois é, dormir de conchinha, refém da abstinência de estalos por pelo menos oito horas é pior que pênaltis contra o Chile. O silêncio do quarto também não ajuda. Qualquer mini estaladinha já pode despertá-lo. Haja coração, Galvão!

Meu consolo é que me limito às mãos. Não sou daquelas taradas que contorcem ombros, pescoço e pés à procura do estalo perfeito. Umas fritadinhas ali no indicador, polegar e demais companheiros já são suficientes. Também não sou fominha, sabe aquelas pessoas que não se contentam com os próprios dedos e mendigam estalos em mãos alheias? Me tira dessa! Sei bem o limite da fronteira, não avanço territórios. 

Minhas defesas até que são bem contundentes, mas já é hora de virar o jogo. Agora só quero atirar as mãos pra cima e gritar é campeão. Expulsar toda a tensão, rezar para o Felipão e também para o Neymar. Que eles vençam este enredo, virem a Copa do avesso, sem prorrogação, como num simples e sonoro estalar de dedos.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Eu mato aula


Noite sim e noite sim também eu sonho que estou matando aula. Não é exagero. No meu inconsciente sou a líder mundial do turismo escolar. Na verdade, o ambiente até que é bem variado. Mato aula no Colégio Santo Agostinho, na PUC, no curso de inglês e até em lugares que nunca estudei. Essa noite por exemplo sonhei que matava uma aula do Colégio Wakigawa. Não sei se isso que chamavam de "escola" ainda existe, mas me lembro que ali sim era o grande império internacional de matadores de aula. 

Já foram tantas noites de matanças que hoje me peguei refletindo sobre o porquê dessa fixação. Até confesso que na minha fase de estudante tive mesmo algumas fugas secretas, mas meu currículo não chegou a ser de uma homicida em série. Eram matanças espaçadas, digamos assim. Lapsos que quando aconteciam, admito, me mergulhavam num prazer inenarrável. Ao contrário de muitas amigas, eu não matava aula para aprontar coisas ilícitas, se é que vocês me entendem. A lacuna acadêmica era totalmente preenchida com horas e horas de sono. Que delícia!

Dormir à tarde depois de almoçar bife com batata-frita ao som de Chaves no SBT era pura volúpia. Quanta felicidade! Me deleitava em saber que enquanto isso todos reviravam os olhos na aula de trigonometria. Ainda assim o maior prazer vinha mesmo do espírito "ilegal" implícito em matar aula. Era uma forma maravilhosa de transgressão. Contra a lei dos pais, dos professores e dos amigos invejosos que nunca conseguiam brecha para burlar a única obrigação que tínhamos. Eu matava aula na minha própria casa, quanto luxo! Contanto que meu pai e nem meus filhos no futuro leiam esse texto, admito, com as bochechas rosadas de vergonha, que matar aula era realmente um dos meus melhores atributos.

Aposentei minha carteirinha de estudante há uns anos mas o prazer de matar aula definitivamente não abandonou meus sonhos. Trigonometria, fórmulas de química, leis da Física, está tudo lá no meu inconsciente. Aulas que não me serviram tanto para a vida, mas que alimentam uma incrível sede de transgressão. Mesmo que em fantasia.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Fly me to Paris


Da noite para o dia uma viagem a Paris. Pisquei bem os olhos enrugando cada milímetro de pálpebra. Precisava ter certeza de que tudo não passava de um sonho. É o tipo de pegadinha que meu inconsciente adora aprontar. Quis checar todas as variáveis. Lá fora, uma festa de arromba aguçava meus ouvidos, mas soava algo insano como axé ou pagode. Definitivamente uma trilha sonora que não estaria em um sonho. Minha mente não seria tão canalha assim. A realidade estava escancarada na minha fuça e no entanto, eu custava a acreditar. Falando em fuça, até o cachorro se deu conta que ninguém ali estava dormindo. Avistou meus olhos arregalados e... Opa, ela acordou! Com um salto magnífico à la Matrix, me invadiu com lambidas suculentas. É, não era mesmo um sonho. Eu realmente ia a Paris. 

Que roupa levar? A quem contar? Posso gritar? São tantas emoções mesmo, Roberto Carlos. Tarefa árdua essa de manter a compostura e me fingir de lúcida. No way! Eu precisava berrar ao mundo que estava a algumas horas da cidade luz. Esqueci das contas a pagar, dos compromissos já marcados, do espelho quebrado, da toalha molhada em cima da cama. Deixa isso pra lá, vem pra cá, o que é que tem?! Não tem nada mesmo, então meu Rio de Janeiro só posso lhe dizer duas lindas palavrinhas: au revoir! 

E não me venha com meditação, respiração, enrolação. Ansiedade se afaga com uma boa garrafa de vinho na Champs-Élysées, monsieur. Mas e o frio? Quanta bobagem! A brisa parisiense nada atrapalha, na verdade aconchega e é tão gostosa que fica fácil sentir a Torre Eiffel e os lindos parques de braços abertos para nós, meros admiradores.

Tão romântico quanto Shakespeare. Cada pedacinho de Paris fez brilhar meus olhos. Acelerou a pulsação, estremeceu o corpo, fez suar frio as mãos. E foi assim, como uma adolescente e os lábios mordidos de emoção, que cantei, me encantei, me apaixonei.

Nunca foi tão prazeroso me perder em uma cidade grande. Com o namorado a tiracolo, vasculhei cada esquina, me deleitei na gastronomia, fiz pose pra foto, me travesti de francesa rica. Tanta beleza ao redor que acabamos por nos tornar mais belos e apaixonados. Naquela atmosfera, o beijo é mais beijo. O amor é mais amor.

Voltei ao Rio tão gratificada que subestimei até mesmo Frank Sinatra. Atrevida como nunca, reescrevi seu famoso refrão: fly me to Paris, dear Frank. A lua está lá e é feita de mel.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Capítulos de uma solteira


Estar solteira tem suas peculiaridades. Terminou o namoro? Desistiu daquele casinho enrolado? Não importa em qual circunstância calhou o famoso pé na bunda e menos ainda interessa quem foi o batedor oficial do pênalti. O fato é que o jogo acabou e você entrou para a entressafra. Mas não se desespere! Estar na entressafra não é necessariamente uma tragédia. Pense bem: a oferta não é tanta mas o produto valoriza que é uma beleza. Prepare-se então para incorporar a gata mais desejada do pedaço e aprender a lidar com as especulações que vêm por aí.

Na entressafra existem três capítulos tragicômicos e inevitáveis: o revival, o avulso e o link. O revival nada mais é do que o "vale a pena ver de novo" da Globo. Tá sempre lá na sessão da tarde. Você já assistiu, insistiu e desistiu mais de 378 vezes, mas depois daquele almoço, no aconchego do edredom, ar condicionado e chuvinha na janela, aaaaahhhh é bom demais, vai! É difícil mesmo resistir. O mundo te compreende, acredite. Mas aí você se lembra da porrada que tomou naquela batida de pênalti e sabiamente resolve mudar de canal. Obrigada Net pelas 153 opções do seu combo HD neste momento tão difícil.

De volta à entressafra, chegamos ao temido sábado à noite - o dia internacional da pegação, ou não. Você quer sepultar o ex, encontrar o príncipe que o destino lhe reserva ou... No ultimato fatal da carência, decide apelar para o avulso - aquele 2º capítulo que falei lá em cima. Pois é, o avulso é tragicômico por si só. Não que seja ruim ou bom, na entressafra não ligamos muito pra maniqueísmos, mas é que o avulso é desamarrado até demais. É um intruso, um tapa-buraco pra fechar de última hora o elenco da novela. Você ainda tenta enquadrar aquele alien em algum argumento do seu roteiro, mas o cara é recém-formado em agronomia, mora em Cuiabá e é cinco anos mais novo que você. É... Haja argumento.

Sobreviveu ao revival e deu um chega pra lá no avulso? Agora é hora da produção voltar à tona. As condições climáticas já favorecem, a situação econômica está ganhando fôlego e o País em peso clama pelo fim da entressafra. Ok, rolaram umas escorregadas aí nesse meio tempo, mas você continua lá, firme e forte, com a dieta em dia, armário renovado, 100% inabalável! É neste momento, como quem não quer nada, que a amiga sequelada comenta: "sabe que você tem tudo a ver com o Marcelinho? Posso apresentar vocês?". Para tudo!!! Ooooiiiiiii? Eu aqui apelando pra avulsos de Cuiabá e você só se lembra agora de um amigo bacana pra mim??? É, baby, com vocês... Eis o link!!!!

Se o tal link vai dar samba, nunca se sabe. E mesmo se a conexão falhar, um pagodinho ao menos sempre pode rolar.