sexta-feira, 16 de agosto de 2013

As farmetes do Leblon


Ela se chama Jade. Como toda farmete que se preze, seu nome tem um quê de exótico, sem falar no sobrenome que também não foge à regra: Musa. Jade Musa é o sobrenome da farmete mais pop do momento, que para completar sua obviedade se orgulha sem pudor do trocadilho que o nome de família lhe permite. 

Segue à risca todas as modices lançadas pela grife Farm e assume de uma hora pra outra uma nova personalidade de acordo com o que pode torná-la mais "cool" no mundinho azeitona da zona sul do Rio.

Passou seus 26 anos olhando torto para os skatistas. "Hummm... Esses grunges de skate, fãs de Foo Fighters... Eca!". Porém de um ano pra cá, o novo brinquedinho com rodinhas pinks não sai mais de seus pés. Não tenha dúvidas, todo domingo ela estará deslizando em curvas tendenciosamente sensuais no calçadão do Leblon, com boné estilo hip hop e óculos escuros faça chuva ou sol. Mas se domingo ela anda de skate, sábado é dia de quê? De standup é claro! Ela acordou um belo dia e decidiu: a partir de hoje serei a Musa do SUP!

É amiga de todos os DJs cariocas em alta do momento e de vez em quando tira uma onda nas carrapetas para ver se dá um up a mais na sua popularidade. Sua última sacada foi descobrir que fazer piquenique no Rio de Janeiro não é mais coisa de suburbano farofeiro. Desde então, Jade tem apostado todas as suas fichas nas fotos regadas a vinho branco, toalhinhas xadrez, cestinha de palha e horizonte da Lagoa ao fundo. De fato seu número de likes tem aumentado muito. Sábia Jade...

Nunca gostou muito de ler e nem curtia as aulas sobre história da arte, mas viu nos vernissages e exposições um grande potencial para fortalecer sua imagem "cool". Jade também é cultura, ta pensando o quê?!

Mas você deve estar se perguntando: Jade não trabalha? Claro que sim! É blogueira de moda. De segunda a segunda tem o dever de postar o look do dia e falar de algumas poucas futilidades. Na verdade, Jade não fala. #Jadesecomunicaporhashtags. Adora gírias do tipo "só que não" e mensagens em códigos típicos daquelas piadinhas internas que só seu grupinho de farmetes entende. E para relaxar após um dia exaustivo de muito trabalho no blog, nada melhor que uma corridinha na praia devidamente aparelhada com tênis laranja neon e sua viseira colorida essencial para protegê-la do sol escaldante que costuma fazer durante as noites do Rio.


É claro que ela não existe, mas todo mundo conhece uma Jade Musa por aí. Elas estão por toda a parte. Nada contra, mas tanta obviedade junta me cansa. E a canseira é tamanha que estou precisando mesmo é de uma boa noite de muito sol e viseira para relaxar na orla do Leblon. Sábia Jade...

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Política no Baixo Gávea, why not?


Nem baderna, nem mordaça. Durante meus 29 anos de vida sempre dormi e acordei fazendo parte de uma juventude que, desculpem o clichê atual, mas não me representava. Nós não somos os rebeldes da ditadura, nem os hippies e "bossanovistas" cantando por paz e amor dos anos 60 e 70; não somos os caras pintadas, nem os questionadores enérgicos da Legião Urbana dos anos 80 e 90. A minha juventude era apenas a geração 2000, que durante muito tempo aos olhos de nossos pais e avós carregava o estigma de enfim, "A Geração do Futuro", mas frustrações à parte, a verdade é que nos tornamos o mero e medíocre retrato do NADA. Vamos às contas: 2000 alienados, 2005 bitolados, 2010 emaconhados, 2013... Opa! Número da sorte ou azar, o que importa é que o 13º ano chegou e parece que agora sim, minha juventude mudou, cresceu, enxergou, entendeu, se engajou e lutou, com máscara ou sem, mas com um objetivo muito claro e acima de todas as outras questões que estão em jogo: o tão esperado futuro que nossos anteriores lá muito atrás já enxergavam em nós. Eles não estavam errados. Muito sábios.

A "geração do futuro" demorou mas percebeu que não é chato falar de política, que não é sujo tentar entender os trâmites do congresso, que não é perda de tempo ler o jornal todo dia e que o nosso mundinho pode ser muito maior do que apenas usar o cérebro para dar likes no Facebook e Instagram. 

Coincidência ou não, o comercial do Fiat Uno lançado poucas semanas antes do início das manifestações já premeditava uma simpática convocação do povo às ruas. Mesmo que a ideia fosse chamar para torcer pelo Brasil na Copa das Confederações, a campanha publicitária de um simples carro fez ecoar o grito engasgado há 13 anos na garganta tímida dos jovens por tarifas menores de ônibus. Nem toda a "geração do futuro" tem grana para comprar um carro, mesmo que popular, mas a mensagem da campanha do Uno instigou e deu corpo caindo como uma luva à nossa indignação até então inerte por ao menos um transporte público de qualidade. O "Vem pra rua" da Fiat gerou repercussão em massa nas redes sociais e batucadas contagiantes nas manifestações. As gerações dos anos 60, 70 e tantas outras nos aplaudiram, se arrepiaram e se orgulharam da juventude que agora parece querer de verdade um futuro melhor.

Sarneys, Renans, Nicolaus, Luiz Estevãos sempre vão existir. Nós acordamos mas não somos cegos quanto a isso. Se plebiscito é apenas um truque para enfraquecer o movimento, se referendo era o melhor caminho, se quebrar tudo e tacar fogo é necessário para mudar, se precisamos acabar com a paz "blindada" dos riquinhos do Leblon para reacender as discussões, é claro que não sei. Só sei que essa juventude pela primeira vez nos meus 29 anos quer de fato ouvir e entender o que a presidente tem a dizer, debatendo seu discurso mesmo que por Facebook ou em mesas de bar,  esta sim é a geração que me representa. 

Os guardanapos da farra do Cabral em Paris não sairão tão cedo da nossa cabeça, assim como as falcatruas com a Delta e isso porque nossa memória ainda é muito lúcida, afinal como já dizia Renato Russo, somos tão jovens... Ler jornal, assistir e refletir sobre as opiniões dos cientistas políticos, compartilhar fatos que acrescentam, não deixar a memória esmorecer, debater no Baixo Gávea, na praia ou no metrô, não importa, o que vale é não deixar morrer a vocação de ser e representar a geração que luta pelo Brasil do futuro.

A farra do Cabral em Paris devidamente registrada e memorizada



terça-feira, 21 de maio de 2013

Síndrome da conectividade


Já faz uma década que não passo por aqui, admito, mas garanto que dilemas não faltam. Na verdade, o que faltou mesmo foi tempo. Mas diante de alguns generosos pedidos no melhor estilo "Volta Fernandinha!" (adorei isso, confesso) e da nova fase um pouco mais remota, cá estou eu preparada para enfrentar as ferrugens acumuladas e voltar a escrever para compartilhar todas as agonias, desconcertos e situações sublimes que pipocaram nos últimos episódios desafiadores de Fernandinha.

Para ser mais atual no meu histórico de dilemas, um deles vale disparado o post de hoje, não por ser mais ou menos relevante que os outros, mas por sua insistente presença impregnante nos meus dias e noites aflitas. Não fui eu que batizei, mas ouvi de uma amiga e soou perfeitamente bem: "síndrome da conectividade". Acredite, meu caro, isso realmente existe. 

Thanks god as operadoras já estão investindo na rede 4G, mesmo que na marra totalmente encurraladas contra a parede pela Anatel. Mas enquanto isso, nosso tão clamado 3G ainda nos domina dia e noite numa dependência quase visceral. A cada queda do magnânimo 3G é mais uma gastrite que acumulamos. Sim, a síndrome da conectividade pode te adoecer, muito cuidado! Aliás, aquele status "conectando..." que aparece no WhatsApp, e-mails e afins, quando o 3G não está a fim de trabalhar é quase uma bomba-relógio, é a tortura chinesa dos novos tempos. Nessa loucura de conecta ou não conecta, já me alertaram para vários truques que supostamente deveriam burlar o tal "conectando...", mas se nosso amigo 3G estiver inspirado na sua meta diária de crueldade, esquece tudo porque o cara é invencível, garanto. 

Reinicia o maldito celular, entra e sai, sai e entra, deleta e instala de novo, apela para o "modo avião" (a ignorante aqui nem sabia que isso existia até outro dia), dá uns tabefes na tela... Calmaaaaa, sem quebrar! iPhone é caro, meu camarada. Pois é, mas nada de 3G. Ah, já sei! Entra no seu e-mail porque ouvi dizer que isso dá uma forçinha a mais para o maldito sinal voltar. Será??? Que nada, isso é lenda. Então ta bom, quer botar pra quebrar? Praticamente mandar uma intimação oficial para esse cara aparecer de uma vez por todas? Faz o seguinte, entra na AppStore! Ah moleeeeeque, quanta sagacidade! Afinal, é de todo interesse da Apple que você consiga conexão para acessar sua loja e comprar aplicativos. Apesar de uma coisa não ter nada a ver com a outra, ok, esse é aquele último e desesperado apelo para tentar pegar o sacana. Mas não... (como irritantemente dizem por aí #sóquenão). O cara é malandro mesmo. O cara é "Vivo". Mas não dizem que quem é "Vivo" sempre aparece? Não se o "Vivo" for o 3G.

Seu poder é tão inatingível que ele é capaz de contrariar todas as regras e truques. Não tem Apple que o segure. Enquanto isso, padecemos com a síndrome da conectividade, esperando que o destinatário daquele e-mail, daquela mensagem no Whatsapp, daquele inbox no Facebook, o que quer que seja, não desista de receber a sua resposta, porque quem sabe (e é muito provável que sim) ele também esteja "gerundiando"  por aí, preso na angústia do nosso eterno status "conectando...".



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Um brinde à saudade



O Bracarense fervilhava no clássico domingo pós-praia com boêmios aos montes regados do melhor chopp do Rio, todos tinindo de felicidade no melhor estilo carioca de jogar conversa fora, falar alto, rir à vontade e brindar com os companheiros de birita. E lá na muvuca das mesinhas amontoadas estava eu, minha querida mãe, meu irmão e nossos respectivos ex-namorados.

Rodada de 5 chopps, bolinhos de camarão, mais uma rodada, caldinho de feijão, mais 3 rodadas, a sede era grande e dá-lhe bolinho de camarão! Mais 4 rodadas, boteco fechando, mais 5 rodadas, garçons já faxinando a calçada. Pediram a saideira, alguém começou a cambalear, olha lá! Cadê o chorinho? Desespero geral com o valor da conta! Bebemos tudo isso? Não tem problema, todo bêbado se acha rico então vamos pedir a saideira do chorinho! Praticamente expulsos pelos garçons, caixinha para eles, merecem. E agora??? Partiu praia! E daí que já eram quase 2 horas da manhã? As ondas estavam lá ainda, à nossa espera, era nosso dever comparecer. Como um abraço de amigo, elas acalmaram e nos deram de presente uma piscina de água salgada à luz da lua. Nós, os cinco loucos foragidos do manicômio, cantamos, pulamos e até arriscamos um samba no balancê do mar do Leblon. Uma felicidade contagiante, um momento inesquecível. 

Algumas pessoas dizem que os saudosistas são reféns do passado. Admito que nostalgia nem sempre é bom, mas reviver, mesmo que por pensamento, lembranças tão felizes refresca a alma e inspira novas aventuras. Nesse eterno dilema entre passado e presente, prefiro pedir mais uma rodada de chopp com direito a chorinho dos deliciosos momentos. E na saideira, um brinde à saudade para que seja sempre prazerosa e nunca se acabe.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Hey, what's up?


É interessante como as pessoas se cumprimentam, já reparou? É um diálogo de apenas duas frases feito somente de uma mesma pergunta.

Uma cena comum: estou passando por algum lugar, que aliás é totalmente irrelevante, provavelmente mexendo no celular como de costume até que avisto alguém conhecido.

- Oi, tudo bem?

E ele "responde": - Oi, tudo bom?

E pronto, assim acaba a cena esquizofrênica. A pergunta é exatamente a mesma e a resposta é nula. E o pior, continuo caminhando como se fosse super normal perguntar algo e ser retrucada com a mesma pergunta. A recíproca é verdadeira. A única variação possível é trocar o "tudo bem" por "tudo bom" e olhe lá.

Quando me dei conta de tal insanidade, realmente me incomodei e resolvi quebrar paradigmas, revolucionar o mundo, atravessar as barreiras impostas pelas leis sociais até que... pronto, o momento ficou fadado ao mistério. Eu finalmente respondi que "sim, está tudo bem comigo!". Ficamos nos olhando durante uns dois segundos.

Ele mexia as sobrancelhas como se não entendesse o que acabou de se passar. Decidi ir mais adiante.

- Mas e você? Não me respondeu. Tudo bem?

As sobrancelhas se revezavam numa espécie de sacolejo coreografado. Se pudesse se ver ia perceber que ele sim era o estranho da cena e não eu. Sem muita saída para fugir do silêncio constrangedor, disparou de uma só vez:

 - Estou bem.

Baixou os olhos e nitidamente estarrecido com a situação inesperada continuou seu caminho e voltou a teclar em seu iPhone, onde provavelmente embalava livre e solto nas conversas do whatsApp.

Ri sozinha até que instantaneamente o som de uma nova mensagem sinalizou no meu celular. Ah, um novo whatsapp... Não é que era o tal conhecido?! Olhei para trás e o vi já de costas a uns bons metros de distância mas agora, devidamente protegido pela telinha do telefone.

- Oi Fê, desculpe estava com pressa. Mas agora posso falar. Estou bem sim, entrei num novo negócio, está dando muito certo. Ah e você não sabe! Minha irmã casou e está gravida! Vai ser um menino. Nós acabamos de voltar de Nova York, foi a família toda. E você? Me conta como está!

Quanta desenvoltura para uma conversa por celular, não? Pois bem... Quer saber qual foi a minha resposta? Não há muito o que pensar. Se a pergunta foi "e você? Me conta como está", nada mais normal que responder:

- E você? Me conta como está!

As sobrancelhas certamente voltaram a sacolejar.