sexta-feira, 11 de maio de 2012

Fernandinha, a traficante da criançada

Para tudo! Como assim não contei o melhor da história no post do pó do amor? Talvez porque minhas histórias sejam tão doidas, cheias de nuances e complicações incrivelmente complicadas que nunca consigo contar o enredo por inteiro.

O fato é que a história do pó do amor é tão mirabolante que não podia acabar com apenas a indiferença fatídica do Claudinho por mim. A confusão foi muito, mas muito mais além!

Após dois dias sumida do colégio, me enchi de óleo de peroba e na maior cara de pau do tipo "não lembro, não fiz, não é comigo", enfrentei os olhares mais venenosos e preparados para me sacanear. Respirei fundo e entrei na sala de aula.

Cabisbaixa e com a franja jogada na cara, esperei a aula acabar olhando fixamente cada demorado andar dos segundos no relógio, quando de repente ouve-se uma voz na porta.

- Fernanda Conde, por favor me acompanhe até a sala do diretor. Ele está à sua espera.

Um silêncio sepulcral tomou conta da sala. Ao me levantar trêmula como uma doente de parkinson, a secretária sombria do diretor solta mais uma frase impactante.

- Pegue sua mochila, Fernanda Conde.
- Mochila? Pra quê?
- Você vai ver.

Antes de sair ainda pude ouvir risos diabólicos dos meus "amiguinhos" no fundo da sala e o som soletrado daquele super bem vindo "se fudeu". Minha tremedeira triplicou.

O que o tirano fascista, nazista e terrorista do diretor queria comigo? Me aprisionar num cativeiro oculto no fundo obscuro de sua casa? Tudo era provável! Mil interrogações entraram em turbulência na minha cabeça. Será que o Claudinho me entregou e estava lá na sala dele me esperando também para o interrogatório? Será que a mochila era para  me expulsar mais rápido do colégio? Será, será, será?

- Fernanda Conde. Sente-se.
- O que houve diretor?
- Sou eu que te faço essa pergunta, Fernanda Conde. Soube que a senhora anda vendendo um pó branco para outros alunos da sua turma. É verdade?
- Ah... Bem... Mais ou menos... Era um...
- Não tente me enrolar, Fernanda Conde! É deplorável saber que uma das alunas do meu colégio, de apenas 13 anos é além de usuária, uma traficante de cocaína! E ainda por cima anda persuadindo outras crianças a se viciarem também!
- Que isso, diretor! Não é nada disso!
- Fernanda Conde, abra sua mochila agora! Quero ver quanta cocaína está carregando aí!
- Mas diretor, eu não vendo droga!
- Abra agora, Fernanda Conde!!!
- Não vou abrir não! O senhor não tem o direito de vasculhar minha mochila! Isso é invasão de privacidade!
- Invasão de privacidade? Então a senhora vende drogas aqui nesse colégio e vem me falar de moralismos? O que você está pensando, Fernanda Conde?
- Senhor diretor, eu não sou traficante e me recuso a abrir minha mochila!
- É mesmo, Fernanda Conde? Então quer dizer que terei que chamar seus pais para termos uma conversa?
- Pode chamar!
Valente eu né? Pois é, ele acabou realmente chamando meus pais no colégio e não deu outra: saíram de lá completamente perplexos. Afinal, não deve ser nada fácil descobrir que sua filha pré-adolescente é uma exímia traficante de cocaína.

O castigo era inevitável. Minha adolescência estava marcada pelo submundo das drogas e a retardada aqui, nem sabia o que era cocaína. Felizmente tive pais muito sensatos e incrivelmente inteligentes para de cara já sacarem que aquilo era uma doideira. Conclusão: graças à sanidade dos meus pais escapei do castigo, mudei de colégio, mas perdi de vez o Claudinho. Pirralha e ainda por cima traficante não dá né?


Adeus Claudinho...

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O pulo do gato



Uma vez escrevi um post sobre a difícil escolha entre ser magra ou ser feliz. Não estou aqui para ficar me lamuriando pelos quilinhos extras e muito menos com papo de anoréxica obsecada, mas estou com vontade de compartilhar um dos meus últimos dilemas que vem me impregnando diariamente.

Há algum tempinho resolvi me render ao incrível mundo infernal das dietas radicais. Isso significa nada de açúcar, farinha e muito menos aquela minha sagrada e santa cervejinha. Mas como a minha médica iludida pelos meus planos "Gostosete 2012" não lembrou que quando se fala em dieta também deve-se levar em conta a terrível interferência do fator humano, ela seguirá sem saber que de vez em quando dou umas escapadinhas por aí. Eu já sei que você vai falar que isso é uma autoenganação e blá blá blá, mas tem mentirinha (mesmo que pra si mesmo) mais gostosa do que essa? Numa boa, visto o nível de dificuldade, resistir a um chopp gelado com pastelzinho de camarão é totalmente justificável né? Garanto que o meu cérebro entende muito bem essa justificativa.

Pois bem... Como já previa a lei do meu amigo íntimo Murph, no auge do meu suor e sangue pelo corpo minimamente digno me deparei com um Kinder Bueno! Para quem não conhece essa maravilha divina é um chocolate suculento e cremoso melhor do que Lindt, só para você ver a potência de gostosura da coisa. Ah e não tem nada a ver com aquela bosta de Kinder Ovo, viu? Que aliás só pode ser um doce fajuto qualquer "geneticamente" modificado para se passar por chocolate.

O fato é que o safado do Kinder Bueno me olhou fixo nos olhos, me desejou loucamente e me implorou para ser possuído. O que eu faço, meu Deus?! Lembrei logo da última frase de Pai Nosso como se levasse uma chicotada nas costas: "não nos deixe cair em tentação, mas livrai-nos do mal, amém". Mas aí é que está a questão: adianta rezar nessas horas? "Meu Deus, confesso que cairei sim em tentação, mas garanto que não é do mal, pelo contrário, é uma maravilha". Compra finalizada com sucesso. O Kinder já estava em minhas mãos.

Dias se passaram, mas acredite se quiser, o Kinder Bueno Bonzão Delícia Gostosão está vivo e forte resistindo em embalagem lacrada dentro da minha gaveta até hoje. Não abri, não roubei uma lasquinha se quer, não caí em tentação. Mas todo dia nos olhamos numa troca incrivelmente sedutora e penso: Te como ou não te como? E ele diz: "manda ver, Fernandinha! Me come! Você não me acha gostoso?".

A luta pelo corpo digno está firme, mas o Kinder continua me aguardando do outro lado da cerca. Pulo ou não pulo?


          Pronto para pular a cerca: o gato (Fernandinha) e o cavalinho (Kinder). Uma história de paixão, mentiras e sedução


terça-feira, 8 de maio de 2012

Boliche: no, I can't!

Rufem os tambores! A hora chegou. É você contra você mesmo. Eu sei que todo jogo que não é em equipe só depende mesmo da sua competência, mas o boliche é cruel. Aqueles malditos pitocos intimidam à distância, a canaleta - como eu já disse em outro post - está sempre disposta a te sacanear e os outros jogadores rezam pelo seu pior. Só você é capaz de mudar esse cenário tenebroso, ninguém pode te ajudar. O peso e o direcionamento de sua mão é que vão dizer quem é você. Tudo depende dela. Não é um absurdo???

O boliche é um jogo tão egoísta, que pode reparar no seguinte detalhe: o jogador da vez fica de costas para os outros, o que obriga-o a virar seu corpo logo após a jogada, tendo que encarar de frente todas as pessoas. Falando assim, o tal giro do corpo não parece nada demais, mas é muito mais do que você pensa. Ao jogar, você é o centro do epicentro das atenções, mas os olhos alheios ainda estão atentos apenas ao trajeto da bola, até aí ok. Mas ao virar o corpo, a bola já se foi, a jogada acabou e naturalmente todos os olhos passam a mirar os seus. É como se todos esperassem para ver sua reação. Invariavelmente você se sente obrigado a também olhá-los e isso pode esplanar querendo ou não o sorriso mais amarelo do mundo, aquele entre dentes logo após uma jogada. Não importa se foi boa, ruim ou péssima, é tão constrangedor ter que dar de cara com os outros jogadores que a obrigação natural de ter que esboçar alguma reação seja positiva ou não, gera um embaraço imediato.

Talvez isso seja apenas uma loucura da minha cabeça porque sei que a sensatez realmente não é meu ponto forte, mas é fato real que só a pressão de ter que ter uma reação à sua própria jogada é fonte primária de sorrisos amarelos. No último dia em que me aventurei no boliche foi muito clara essa constatação. A jogada foi horrorosa? Sorriso amarelo instantâneo! A jogada foi boa? Sorriso amarelo neles também, porque não é lá muito agradável fazer cara de bonzão, porque pode parecer arrogância e essa preocupação existe principalmente quando se joga entre amigos, que lógico é o meu caso porque está a anos luz de mim a possibilidade de participar de um jogo profissional.

O fato é que preciso comer muito arroz com feijão para fazer aquela maldita bola não cair na canaleta. Porém, mais urgente ainda é perder todo esse amontoado de vergonha na cara que me desperta os impregnantes sorrisos amarelos. De qualquer forma, cheguei mesmo à conclusão de que boliche definitivamente não é para mim.

Ministério Dilemas de Fernandinha adverte: Bolas assustadoras, canaletas do mal e pinos malditos amarelam os dentes. Fato provado e consumado!

Veja só se não são realmente assustadores! Pitocos fantasmas!

Novo objeto sexual



Eu sei, essa história da Carolina Dieckmann nua na internet já assoberbou mais do que deveria nosso tempo desperdiçado com lixo midiático. Mas uma coisa me intrigou: o que leva alguém a fazer fotos com a cara mais sexy a la cruzada de pernas da Sharon Stone, sentada numa privada? Vaso sanitário agora é objeto sexual? Isso merecia um registro no Dilemas. Realmente, as fantasias das pessoas me surpreendem cada vez mais, não que isso seja relevante, mas de fato Caetano é um profeta: "de perto ninguém é normal".

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Bolafobia


Quem me conhece minimamente bem, sabe: tenho sérios problemas com bola. Não importa o tamanho, o peso ou a força com que ela vem na minha direção. Só o que me interessa é que ela simplesmente VEM em minha direção, inevitavelmente me pegando de surpresa e milimetricamente direcionada na altura da minha cabeça.

Por que o ser humano foi inventar esse objeto maligno? Uma circunferência covarde e traiçoeira! Há quem diga que o problema não é a bola e sim quem está entre ela e o outro suposto jogador, ou seja, EU! Como um imã incrivelmente potente, minha cabeça é capaz de atrair a bola que for independente de onde ela for jogada. Juro que no meu triste caso isso é uma regra.

Às vezes penso que uma forma totalmente nova e fácil de eu conseguir finalmente ganhar dinheiro na vida seria me vender para ficar plantada dentro do gol do adversário nos jogos do Fluminense, meu time de coração. Eu poderia até me passar por goleiro porque temo que o juíz não deixaria uma maluca ficar postada dentro do gol sem mais nem menos. Então, pensa comigo: uma goleira como eu, invariavelmente atrairia toda e qualquer bola para o gol porque o imã aqui garanto que é dos bons. A bola bate na minha cara, obviamente caio espatifada no chão, a danada entra e pronto, é gol. Eu seria objeto de desejo, um passe altamente valorizado no mercado futebolístico, um amuleto raríssimo vítima de lobby para todos os empresários tentarem empurrar um novo goleiro para o time rival. Pode parecer meio ingrato, porque na verdade, ninguém ia me querer, pelo contrário, iam querer que os outros me quisessem, desde que esses outros fossem adversários. Uma bela jogada para fazer um Flamengo da vida tomar o maior recorde de gols da história.

Mas chega de devaneios. Na verdade, estou dizendo isso tudo porque pela primeira vez em anos me aventurei a jogar alguma coisa que envolva bola. O risco era grande, mas era o único jogo que me veio à cabeça no qual a bola só vai e portanto, não volta nunca em minha direção. É o boliche. Tenho muito a relatar sobre esse dia, mas isso rende um outro post. Talvez seja o próximo.

O fato é que a ingênua Fernandinha de sempre esqueceu que não é porque no boliche a bola sempre só vai, que então estava tudo super tranquilo. Eu só esqueci que existe apenas um único imã mais poderoso do que o meu cabeção: a maldita canaleta. Com certeza os inventores da bola foram os mesmos que criaram a canaleta. Pra quê isso, gente? Tem ódio maior do que ver a bola que você tanto se concentrou para jogar na mira dos pinos simplesmente ser sugada para esse grande canteiro do mal? Em absolutamente todas as jogadas ainda por cima! Que covardia...

Então, para vocês que achavam que me conheciam como Fernandinha, a "bolafóbica", muito prazer: meu novo nome é Fernanda Canaleta Novaes.