quinta-feira, 12 de abril de 2012

Medo de piada



Sei que sou uma pessoa levemente problemática, mas existem algumas situações em que se eu pudesse pediria ao Capitão Nascimento pra sair. O dilema é sobre uma situação específica, porque na verdade, existem centenas delas por aí, mas como eu sei que meu leitor tem mais o que fazer da vida, reduzi o post a essa sinuca de bico nada agradável.

Fulano resolve me contar uma piada. Não importa se o fulano é amigo, namorado, conhecido ou um qualquer, não interessa: entro em desespero. É instantâneo, iimplacável, devastador. O que era para ser no mínimo uma situação divertida, descontraída, subitamente se transforma num beco sem saída, angustiante e claustrofóbico. Acontece que quando alguém se prontifica a me contar uma piada, me sinto automaticamente na obrigação de realmente achar graça.

Minha angústia é tão grande, que nem consigo prestar muita atenção na história porque já nas primeiras palavras me pego remoendo pensamentos do tipo: Meu Deus, será que vai ser realmente engraçado? E se não for? Vou conseguir fingir um riso convincente? E mesmo se eu achar graça, o que vou falar depois do riso? Discursar algo interessante sobre a tal história? Ninguém comenta uma piada. Elas se encerram com risos e ponto final. Mas é tão difícil encarar esse ponto final... O silêncio pós-riso de piada me mata por dentro. O ideal seria eu mesma tapar o silêncio emendando com outra piada, mas não faço isso, primeiro porque não tenho o menor talento para piadista, mas também porque não quero devolver para o fulano o constrangimento do pós-riso. Não sou vingativa.

Se fulano não me avisar que vai contar uma piada, até alivia um pouco meu sofrimento porque nesse caso, sou pega de surpresa. Sem aviso prévio e dependendo do tamanho da piada, não dá tempo de começar a proliferar os pensamentos esmagadores sobre como será a minha reação. Mas o problema central é que na maioria dos casos, o fulano sempre alerta antes: "Galera, vou contar uma piada muito boa". Essa expressão "muito boa" é ainda mais um complicador nessa situação porque aí a expectativa do simples ato de "achar graça" é elevada ao extremo e a sensação da obrigação inexorável do riso triplica de potência, ou seja nesse momento só consigo pensar em uma coisa: com o perdão da palavra, FUDEU!

O TESTE

Estou lendo o último livro do Veríssimo e entre várias crônicas sensacionais, encontrei esta que tem tudo a ver comigo. Vale à pena ler!
 
 
O TESTE
 
Luis Fernando Veríssimo

Ele e ela atirados no sofá, cada um para um lado. Ela lendo uma revista, ele lendo um jornal. Ela se debruça por cima dele, procurando  alguma coisa na mesinha ao lado do sofá, depois enfiando a mão entre as pernas dele e o estofamento. Ele pensa que a intenção dela é outra e se entusiasma.

- Epa. Opa. É por isso que eu gosto dessas revistas femininas. São puro sexo . . . Cento e dezessete maneiras de atingir o orgasmo usando utensílios domésticos, inclusive o seu marido. Chuchu, esse afrodisíaco desconhecido. Você também pode ter os seios novos da Xuxa, quando ela não estiver usando . . . Vocês começam a ler essas revistas, se excitam e ...

- Encontrei.

- Claro que encontrou. Você pensou que ele tivesse se mudado? Continua no . . .

- O lápis. Eu sabia que ele estava dentro do sofá.

- Lápis?

- Pra fazer este teste da revista. Vamos lá. “Você chega em casa e diz que precisa fazer uma reavaliação das suas prioridades, recuperar o seu espaço pessoal e dar um tempo para o casamento, e declara que vai viajar sozinha. Ele a) dirá que tudo bem, desde que você faça um rancho no supermercado antes de ir, b) acusará você de ter um amante e exigirá saber quem é, c) dará uma risada e dirá “boa, boa, conta outra” ou d) dirá que entende você e apóia sua decisão.” “Você”, no caso, sou eu.

- E “ele” sou eu?

- “Ele” é você.

- D.

- O quê

- D. A resposta dele, que sou eu, é D.

- Você me entenderia e me apoiaria?

- Sem a menor dúvida.

Ela anota com o lápis, não muito convencida, e continua.

- “Ele tem um hábito que você não suporta, mas nunca mencionou. Um dia você resolve falar e pede que ele pare, senão você enlouquece. Ele a) dirá que você tem vários hábitos que também o deixam maluco e só para se você parar, b) dirá que devemos aceitar as pessoas como elas são, com todas as suas imperfeições, e que você está sendo insensível e intolerante, c) dirá que fará o possível para parar, pois a sua aprovação é a coisa que ele mais preza, ou d) negará que tenha o hábito e dirá que você só está atrás de um motivo para criticá-lo”.

- C.

- C?

- Ele disse C.

- Se eu pedisse para você abandonar um hábito que me incomodasse . . .

- Eu pararia na hora.

- Mesmo?

- Mesmo.

Ela anota e recomeça a leitura.

- “Você . . .”

- Espera um pouquinho. Esse teste não é pra mim. É pra você. É para a mulher responder o que espera do marido. Que tipo de homem ela pensa que ele é. No final, dependendo das respostas, a revista diz “Separa-se desse monstro imediatamente!” Ninguém quer saber as nossas respostas. Desprezam a nossa autoavaliação.

- Não é bem assim . . .

- É, sim. É por isso que eu não gosto de revistas femininas. Não têm o menor interesse em homem, a não ser como objeto sexual. São feitas por mulheres para mulheres. E o que é que mulher mais gosta de ler, ouvir e ver? Outras mulheres. Alguém já viu homem na capa de uma revista feminina? Nunca. É tudo narcisismo. Delas para elas. Até os testes.

Ela atira a revista e o lápis longe.

- Pronto. Acabou o teste.

Ela o abraça.

- Ficou bravinho, ficou?

Ela o beija. Ele se deixa beijar. Ela o beija com mais ardor. Ele enfia a mão entre as pernas  dela. Ela faz “Mmmmmm. É assim que eu gosto”. Ele diz:

- Encontrei.

- O quê?

- O controle remoto.

E liga a televisão.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Pitadinhas a seu gosto

Veja só que irônico. Amo assistir programas de culinária. Os do GNT são meus favoritos. Sou capaz de passar a tarde toda só observando, analisando e saboreando as imagens daqueles chefs geniais fazendo maravilhas gastronômicas. Por outro lado, odeio com todas as minhas forças cozinhar. Não sei descascar uma batata, quebrar ovo, muito menos picar cebola. Além de ter uma verdadeira repulsa pelo fogão, nas raras vezes em que me arrisco fazer alguma coisa que não seja o óbvio macarrão de sempre, acaba dando em fatalidade na certa.

Mas na verdade, o meu real problema não é a clara falta de talento e sim volumes sem dimensões. Parece um paradoxo, mas vou explicar. Nas receitas de culinária, pode reparar, sempre citam palavras como "uma pitadinha", "um bucadinho" ou "a seu gosto". Numa boa, tem coisa mais irritante que isso? Pessoas sem nenhum talento e noção como eu precisam saber extamente quantas gramas, mililitros, colheres (de chá, de sopa, o que for) são necessárias em minúcias exatas para conseguir cozinhar alguma coisa no mínimo palatável. Quero ver algum médico receitar "um bucadinho" de antibiótico ou calmantes "a seu gosto".

Até entendo que algumas pessoas já nascem com mãos predestinadas para a cozinha, mas pré-julgar que o pobre cozinheiro amador vai entender exatamente o quanto significa a maldita pitadinha já é demais. Além disso, usar essas palavrinhas traiçoeiras é um tiro no pé porque qualquer insucesso do prato vira imediatamente culpa do cara que escreveu a receita. Você já ouviu alguém falando que odeia as receitas da Ana Maria Braga ou do fulano chef de cozinha porque sempre dá errado? Pois é, com certeza deu errado por causa das tais pitadinhas e bucadinhos que eles teimam em escrever.

Talvez se as pitadinhas sumissem dos livros de receita, euzinha aqui, quem sabe, me transformaria numa exímia cozinheira. Enquanto isso, fico com meu humilde microondas (salvador da pátria) porque um bucadinho de miojo não faz mal a ninguém.

Nigella, minha preferida, mas adoooora cozinhar com pitadinhas

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Propagandas misteriosas

Queria tanto entender os enigmas de algumas campanhas publicitárias. São tão intrigantes, que às vezes me parece que a dupla de criação e o pior, que o próprio cliente, surtaram totalmente. É a única resposta.

Não sei se sou a única que não captou a lógica da coisa, mas o que tem a ver o Milton Nascimento aparecer do nada cantando uma música esquisita, intercalando com outras pessoas duplamente estranhas, falando sobre uma tal de Maria, que no fim das contas parece se tratar da triplamente esquisita Maria Gadú, num comercial da Nextel? E ainda por cima o desfecho do filme aumenta ainda mais o mistêrio da tal propaganda esquizofrênica: a própria Maria Gadú surge falando cheia de razão, como se fizesse todo o sentido do mundo a frase "sou Maria e sou feita de gente". Oi??? Vou comprar um Nextel porque a Maria Gadú é feita de gente? Para desvendar esse mistério, talvez pudéssemos perguntar ao senador Demóstenes e seu amigo Carlinhos Cachoeira, integrantes do "Clube do Nextel", quem afinal é essa gente. Será que é gente como Demóstenes ou gente como a gente?


Interrogações também rondam a minha cabeça toda vez que vejo o comercial do inseticida SBP. O slogan "Terrível Contra os Insetos" é claro e óbvio, mas por que frisar em seguida repetindo "contra os insetos"? O telespectador não consegue entender de primeira que é um produto contra os insetos? E se não fosse terrível apenas contra os insetos, seria contra quem mais?


A dupla de cantores Victor e Léo também levantou um mistério. O que eles estão fazendo no comercial da Niely Gold??? A garota propaganda é a Giovanna Antonelli desfilando com cabelos lindos e sedosos, até aí tudo dentro do previsto. Mas sentadinhos num sofá estão Victor e Léo, que suponho não usarem no cabelo a tal linha de tratamentos da Niely, certo? Então por que a empresa pagou para eles fazerem aquela aparição inexplicável ali? Eles não têm nada a ver com o produto, nem com a Giovanna Antonelli e sabe-se lá então se as consumidoras do tal cosmético são ao menos fãs dessa dupla à ponto de irem atrás de um produto da Niely só porque os dois acharam que ficou bonito no cabelo da atriz.


Aliás, a Giovanna Antonelli realmente usa Niely Gold? Aguém compra inseticida para matar algo que não seja um inseto? A Maria Gadú é a única pessoa no mundo que ainda não saiu da Nextel? Pesguntas que não querem calar.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Guerra contra o tempo


Fernanda Atrasilda Novaes, este é o meu verdadeiro nome. Quem me conhece sabe, sou a própria personificação da palavra atraso. Não me orgulho disso, pelo contrário, o tempo é meu maior inimigo.

Não sei o que acontece, mas não importa o que for, sempre acho que tudo vai dar tempo. Acho não, acredito piamente. Não sei se é uma tentativa de autoenganação ou se é burrice mesmo, ou quem sabe os dois juntos. Mas sei que não sou a única no mundo injustiçada pelo relógio. Com certeza existem outras vítimas como eu que enxergam nitidamente que a única situação em que os minutos levam uma eternidade para passar é quando você está se matando na esteira. Fora isso, na cabeça do atrasildo, dez compromissos se encaixam perfeitamente num espaço de dez minutos. É a matemática da enganação. Sim, a matemática para doidas como eu, nem sempre é tão exata como dizem. Afinal qual é o problema de calcular 1 minuto para cada compromisso?

É lógico que não estou falando de compromissos como as duas horas que as mulheres estão acostumadas a levar dentro de um salão de beleza. São coisas aparentemente simples como comer um sanduiche (nº 1), escovar os dentes (nº 2), passar um hidratante no corpo (nº 3), vestir uma roupa (nº 4), escovar o cabelo (nº 5), se maquiar (nº 6), arrumar a bolsa (nº 7), se despedir do cachorro (nº 8), chamar o elevador (nº 9) e descer do elevador (finalmente, nº 10). Missão cumprida! O problema não são essas 10 coisinhas e sim o celular que você esqueceu e tem que voltar na última hora para buscar, a pasta de dente que acabou e tem que procurar uma nova, o cachorro que não para quieto e o pior, o "momento armário".

O "momento armário" na verdade é o grande culpado de tudo. Todos os outros imprevistos podem ser relevados, mas quando as portas do dito cujo se abrem, brotam milhões de dúvidas, um bilhão de combinações de roupas, cores para todo o lado, ataques de histeria e minutos que se transformam automaticamente em segundos. É impressionante como basta você ter que escolher uma roupa para os minutos tão preciosos na vida de uma atrasilda voarem como nunca. Quero ver eles voarem assim enquanto você está se esguelando na esteira!

Os minutos são traiçoeiros. O ponteirinho do relógio não perdoa nem quando você está com o tempo todo cronometrado. E é por isso, que venho aqui por meio deste blog desabafar não só contra o poder maquiavélico do armário, porque além de atrasilda também sou indecisa (combinação explosiva!!!), mas também contra o elevador. É exatamente isso que você está lendo, o elevador é uma desgraça na vida de um atrasildo. Não importa se é no seu prédio, no trabalho ou no raio que o parta, o elevador sempre está pronto para te sacanear, mais precisamente nos minutos finais que te restam para conseguir não se atrasar.

Pode parecer um troço inofensivo ou até uma excelente invenção para os sedentários de plantão (ok, eu também sou um deles), mas o elevador é uma faca de dois gumes. Seu mal é tão devastador que pode causar estresse de alto nível e até violência desenfreada. No vídeo abaixo, você vai entender exatamente do que estou falando. Mas resumindo é assim que funciona o plano maquiavélico: você quer subir, mas ele está descendo. A porta está quase fechando, mas eis que surge um mala no último segundo e enfia a mão no sensor antes da porta fechar e ela vooooolllta a se abrir. Vamos lá, respira fundo! A porta finalmente fecha, mas na mesma hora alguém chama de novo e mais uma vez o elevador abre a droga da porta. Enfim, nessa brincadeira os 10 minutos que você achava que tinha já se foram embora há tempos. Isso só leva a crer que se você é atrasildo como eu, caia na real! A culpa não é nossa, é toda e sempre do maldito elevador!