segunda-feira, 9 de abril de 2012

Propagandas misteriosas

Queria tanto entender os enigmas de algumas campanhas publicitárias. São tão intrigantes, que às vezes me parece que a dupla de criação e o pior, que o próprio cliente, surtaram totalmente. É a única resposta.

Não sei se sou a única que não captou a lógica da coisa, mas o que tem a ver o Milton Nascimento aparecer do nada cantando uma música esquisita, intercalando com outras pessoas duplamente estranhas, falando sobre uma tal de Maria, que no fim das contas parece se tratar da triplamente esquisita Maria Gadú, num comercial da Nextel? E ainda por cima o desfecho do filme aumenta ainda mais o mistêrio da tal propaganda esquizofrênica: a própria Maria Gadú surge falando cheia de razão, como se fizesse todo o sentido do mundo a frase "sou Maria e sou feita de gente". Oi??? Vou comprar um Nextel porque a Maria Gadú é feita de gente? Para desvendar esse mistério, talvez pudéssemos perguntar ao senador Demóstenes e seu amigo Carlinhos Cachoeira, integrantes do "Clube do Nextel", quem afinal é essa gente. Será que é gente como Demóstenes ou gente como a gente?


Interrogações também rondam a minha cabeça toda vez que vejo o comercial do inseticida SBP. O slogan "Terrível Contra os Insetos" é claro e óbvio, mas por que frisar em seguida repetindo "contra os insetos"? O telespectador não consegue entender de primeira que é um produto contra os insetos? E se não fosse terrível apenas contra os insetos, seria contra quem mais?


A dupla de cantores Victor e Léo também levantou um mistério. O que eles estão fazendo no comercial da Niely Gold??? A garota propaganda é a Giovanna Antonelli desfilando com cabelos lindos e sedosos, até aí tudo dentro do previsto. Mas sentadinhos num sofá estão Victor e Léo, que suponho não usarem no cabelo a tal linha de tratamentos da Niely, certo? Então por que a empresa pagou para eles fazerem aquela aparição inexplicável ali? Eles não têm nada a ver com o produto, nem com a Giovanna Antonelli e sabe-se lá então se as consumidoras do tal cosmético são ao menos fãs dessa dupla à ponto de irem atrás de um produto da Niely só porque os dois acharam que ficou bonito no cabelo da atriz.


Aliás, a Giovanna Antonelli realmente usa Niely Gold? Aguém compra inseticida para matar algo que não seja um inseto? A Maria Gadú é a única pessoa no mundo que ainda não saiu da Nextel? Pesguntas que não querem calar.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Guerra contra o tempo


Fernanda Atrasilda Novaes, este é o meu verdadeiro nome. Quem me conhece sabe, sou a própria personificação da palavra atraso. Não me orgulho disso, pelo contrário, o tempo é meu maior inimigo.

Não sei o que acontece, mas não importa o que for, sempre acho que tudo vai dar tempo. Acho não, acredito piamente. Não sei se é uma tentativa de autoenganação ou se é burrice mesmo, ou quem sabe os dois juntos. Mas sei que não sou a única no mundo injustiçada pelo relógio. Com certeza existem outras vítimas como eu que enxergam nitidamente que a única situação em que os minutos levam uma eternidade para passar é quando você está se matando na esteira. Fora isso, na cabeça do atrasildo, dez compromissos se encaixam perfeitamente num espaço de dez minutos. É a matemática da enganação. Sim, a matemática para doidas como eu, nem sempre é tão exata como dizem. Afinal qual é o problema de calcular 1 minuto para cada compromisso?

É lógico que não estou falando de compromissos como as duas horas que as mulheres estão acostumadas a levar dentro de um salão de beleza. São coisas aparentemente simples como comer um sanduiche (nº 1), escovar os dentes (nº 2), passar um hidratante no corpo (nº 3), vestir uma roupa (nº 4), escovar o cabelo (nº 5), se maquiar (nº 6), arrumar a bolsa (nº 7), se despedir do cachorro (nº 8), chamar o elevador (nº 9) e descer do elevador (finalmente, nº 10). Missão cumprida! O problema não são essas 10 coisinhas e sim o celular que você esqueceu e tem que voltar na última hora para buscar, a pasta de dente que acabou e tem que procurar uma nova, o cachorro que não para quieto e o pior, o "momento armário".

O "momento armário" na verdade é o grande culpado de tudo. Todos os outros imprevistos podem ser relevados, mas quando as portas do dito cujo se abrem, brotam milhões de dúvidas, um bilhão de combinações de roupas, cores para todo o lado, ataques de histeria e minutos que se transformam automaticamente em segundos. É impressionante como basta você ter que escolher uma roupa para os minutos tão preciosos na vida de uma atrasilda voarem como nunca. Quero ver eles voarem assim enquanto você está se esguelando na esteira!

Os minutos são traiçoeiros. O ponteirinho do relógio não perdoa nem quando você está com o tempo todo cronometrado. E é por isso, que venho aqui por meio deste blog desabafar não só contra o poder maquiavélico do armário, porque além de atrasilda também sou indecisa (combinação explosiva!!!), mas também contra o elevador. É exatamente isso que você está lendo, o elevador é uma desgraça na vida de um atrasildo. Não importa se é no seu prédio, no trabalho ou no raio que o parta, o elevador sempre está pronto para te sacanear, mais precisamente nos minutos finais que te restam para conseguir não se atrasar.

Pode parecer um troço inofensivo ou até uma excelente invenção para os sedentários de plantão (ok, eu também sou um deles), mas o elevador é uma faca de dois gumes. Seu mal é tão devastador que pode causar estresse de alto nível e até violência desenfreada. No vídeo abaixo, você vai entender exatamente do que estou falando. Mas resumindo é assim que funciona o plano maquiavélico: você quer subir, mas ele está descendo. A porta está quase fechando, mas eis que surge um mala no último segundo e enfia a mão no sensor antes da porta fechar e ela vooooolllta a se abrir. Vamos lá, respira fundo! A porta finalmente fecha, mas na mesma hora alguém chama de novo e mais uma vez o elevador abre a droga da porta. Enfim, nessa brincadeira os 10 minutos que você achava que tinha já se foram embora há tempos. Isso só leva a crer que se você é atrasildo como eu, caia na real! A culpa não é nossa, é toda e sempre do maldito elevador!



terça-feira, 27 de março de 2012

O mal que consome as mulheres

Tenho amigas de todos os tipos, mas tem algo que coincidentemente é comum a todas elas: o tal do fani. Mas afinal, o que seria isso? O fani vem da palavra faniquito e também pode ser usado como sinônimo de irca, nojo ou até mesmo um ataque de nervos. Pois bem, felizmente nunca passei por muitas experiências de fani, mas garanto que isso pode se tornar um verdadeiro carma na vida de uma mulher.

- Fê, eu desisto! Vou ficar pra titia.
- Mas e o Dudu? Não deu certo?
- Nossa, no último encontro quase vomitei de tanto fani. Ele veio com aquela mão ensebada e começou a fazer aquele carinho no rosto bem de levinho, sabe como é? Alisando minhas bochechas com aqueles dedos grudentos pra cima e pra baixo e ainda me olhando com cara de bobo como se eu fosse a mulher mais maravilhosa do mundo, um horror!
- Ah, mas ele só estava sendo carinhoso, tadinho.
- Tadinho??? O cara ficava o tempo todo com aquela mão nojenta na minha cara tirando todo o meu blush de 300 reais e ainda deixando minha pele toda oleosa. Fala sério!
- É, realmente. Carinho no rosto é meio nada a ver. Mas e o Beto? Também deu fani?
- Fani nada, com esse daí foi Raúl mesmo! No jantar inteiro, eu só pensava na privada à minha espera no banheiro.
- Ah para com isso! O que pode ser pior que carinho no rosto?
- Presta atenção pra você ver como não é frescura minha. O cara mal chegou no restaurante e já começou a me chamar de "minha linda". Uuuiii que frio na espinha... Depois subiu mais um nível de fani quando partiu para um erro fatal: juntou adjetivo com diminutivo. Era lindinha pra cá, lindinha pra lá, eu já nem conseguia mais respirar. E como se já não bastasse toda essa tortura, o indivíduo depois passou de lindinha para princesinha! Quase sufoquei!
- Huuummm ele pegou pesado mesmo.
- Ta vendo?! Acabei tendo que inventar uma urgência maluca na minha casa  porque depois disso tudo eu sabia que dali pra frente ia ser ladeira abaixo. Não duvido nada que a próxima pérola ia ser pituca, picurrucha e quem sabe até, o pior dos piores: neném. Mas até aí eu já teria enfartado no hospital.

Uma curiosidade sobre o fani é que ainda por cima pode ser transferido de uma pessoa para outra. Por exemplo: uma outra amiga foi ao primeiro encontro, mas logo de cara o rapaz soltou que adorava Sandra de Sá. Francamente, isso não se fala, principalmente no primeiro encontro. Foi o suficiente para ela inventar um compromisso urgente e inesperado e pular da cadeira sem mal se despedir. Todo o fani que ela já remoia durante toda sua vida pela Sandra de Sá foi automaticamente transferido ao pobre coitado só por ele ter deixado escapar que era fã dela.

Pelo que tenho visto, o fani é o novo mal do século. Até porque não me lembro da minha mãe ou avó falarem que fulano ou sicrano dão fani. Uma outra amiga me disse que às vezes é preciso enfrentar o fani porque depois que ele for vencido, surpreendentemente acaba se transformando numa paixão arrebatadora. E não é que ela conseguiu superar tanto esse mal que até se casou com o cara? Por isso, acredite! O fani tem cura!


Olha a cara de fani da Bebel Gilberto! Sai pra lá Sandra de Sá!


segunda-feira, 26 de março de 2012

Chico Anysio goela abaixo

Não queiram me matar, mas sério, não aguento mais ouvir falar em Chico Anysio. Ok, o cara era o ícone do humor brasileiro. Ok, o cara tinha não sei quantos mil personagens. Ok, o cara deu oportunidade para vários novos comediantes. Ok, ok e ok! Agora dá pra mudar de assunto?

Nesse final de semana, fiquei praticamente a maior parte do tempo em casa, e o pior: vendo televisão, o que normalmente já seria o inferno em vida. Da Globo ao Multishow era só Chico Anysio. Não é possível que em tão pouco tempo todos os programas tenham conseguido produzir todo aquele vasto material. Ficou óbvio que pelo montante de conteúdo, há milênios toda a biografia dele já estava preparada para sua morte. Sei que essa é uma prática comum no jornalismo, mas não basta dar um registro aqui e só mais outro ali para os únicos desconectados do planeta que em pleno sábado ou domingo ainda não estavam sabendo da morte?

Eram tantas matérias em homenagem, programas inteiros sobre o cara, silêncio de luto no final do Jornal Nacional, que eu (pelo visto o único ser no mundo que não via a menor graça no Chico Anysio) cheguei a me sentir constrangida, até com peso na consciência por não lamentar sua morte. Apesar de achá-lo um mala sem alça, lógico que nunca comemoraria o acontecido, mas precisa mesmo metralhar as pessoas durante três dias consecutivos com doses cavalares de infomações repetitivas sobre o "Deus" Chico Anysio? Sim porque foram tantas idoladrias exacerbadas que o cara foi elevado ao nível dos deuses, o que aliás sempre costuma acontecer com qualquer um que vai dessa para melhor.

Numa boa, o que era aquele professor Raimundo? Só de ouvir aquela musiquinha de abertura da escolinha, já me dá um frio na espinha. Era o Zorra Total só que em dose diária! Uma tortura! O que salvava aquele programa eram alguns dos personagens e mesmo assim, olhe lá. Mas gosto não se discute e não é porque euzinha aqui era uma das poucas no mundo que não suportava as gracinhas do Chico Anysio que discordo das tais homenagens que a Globo e Globosat em peso fizeram do cara. O problema é o excesso. Você gostando ou odiando, não havia escapatória: era Chico Anysio goela abaixo durante 72 horas.

Espero não ser linchada depois desse post, mas até na hora de morrer o cara é mala. Pronto, falei!

Que medo desse programa!

quinta-feira, 22 de março de 2012

A louca do trânsito

No trânsito eu sou um verdadeiro cão de calçolão. Um ser deplorável. Não sei explicar, mas é como se não fosse eu, acontece uma verdadeira transformação. Entro no carro e viro a pessoa mais valente do mundo e ainda encarno a barraqueira desequilibrada. Sei que parece estranho, mas eu mesma tenho horror da Fernanda motorista, quem dirá os outros.

Mas não sejamos tão rígidos assim com a minha pessoa. O trânsito no Rio é de enlouquecer qualquer um! Dá para alguém me explicar por que exatamente no mesmo segundo que você decide mudar de pista sempre brota uma moto? Parece até mágica. Elas se materializam ali bem no meio das duas filas e haaaaja reflexo pra desviar o carro daquela assombração.

Só não posso esculhambar muito os motociclistas porque meu pai é um deles, mas diferente desses loucos inconsequentes, ainda há aqueles como meu pai, que já conscientes do perigo de passar no meio das filas, andam buzinando para alertar às malucas como eu que em algum momento eles vão se materializar. Eu entendo que seja difícil conviver com o risco que eles correm, mas aquela buzininha insuportável precisa ser tão estridente? Irrita tanto que a primeira coisa que todos querem é deixá-los passar. Mas garanto, são irritações como essa que vão me deixando assim, totalmente endemoniada.

E os táxis? Meu Deus, por que eles precisam parar sempre do nada e sem ligar a maldita seta? Será que a ânsia de pegar passageiro é tão cega a ponto de causar uma batida? Mas por incrível que pareça, tem algo ainda mais irritante do que tudo isso: são os tarados do freio. A pessoa está na sua frente e a cada segundo mete o pé na droga do freio. O nível da doença é tão grave que se aparecer uma mosca na frente do carro, ela freia. Alguém buzina, ela freia. O outro carro está a quilômetros de distância, mas ela freiaaaaaa! E quando tem um pardal? Os tarados do freio amam os pardais. Pode reparar: mesmo ele estando bem abaixo da velocidade máxima, o que acontece??? Ele freiaaaaaaa!!!! Eh de tirar do sério.

O pior é que essas situações me perseguem e por isso, dizem por aí que sou a louca do trânsito. Realmente a normalidade não é muito a minha praia, mas o estresse que me absorve no trânsito ainda vai acabar mal. No mínimo, alguém um dia vai me ver saindo no tapa com um motorista de van. Aaaaahhhh as vans... Tem praga pior que essa? Tem sim! As kombis! A malandragem esquizofrênica "dos pessoal tudinho" que faz lotada em kombi está me deixando a um minuto de surtar de vez. Conclusão: preciso urgente de um desses tarados do freio pra ver se eles também freiam o meu decontrole emocional, porque há muito tempo minha paciência já deu perda total.

Repare que no auge do seu estresse sempre vai ter uma kombi por perto