segunda-feira, 5 de março de 2012

Recado para os rapazes



É apenas um pedido inofensivo ou talvez um conselho que só te fará o bem, então lá vai: por favor meninos, não usem jamais gírias de modismos exclusivamente femininos e que aliás, mesmo na boca de uma mulher soam tão ridiculos.

Estou desabafando toda a angústia que tomou conta de mim nos últimos dias ao ver no facebook e até ouvir em barzinhos por aí, rapazes se ridicularizando com frases do tipo: "essa festa vai ser mára" ou "a praia estava uma deli" e até absurdos como: "ontem fiquei alucicrazy". Pelo amor de Deus, se você que está lendo isso já cometeu algum desses crimes contra sua própria masculinidade, pare agora! Nao é legal, eu juro! Mas como eu disse, é apenas um pedido amigável, não me leve a mal. Dilemas também é autoajuda.


sexta-feira, 2 de março de 2012

Rio: a mulher de bandido

Já vou explicar esse título, digamos um pouco ofensivo dependendo do seu ponto de vista. Mas antes disso vale lembrar o que um dia foi a verdadeira cidade maravilhosa e o que a fez ser o que é hoje. 
Mesmo com tantas recentes obras em infraestrutura, tantas tentativas da prefeitura de organizar o caos carioca, tanta demasiada autoestima por ser o ofuscante chamariz do futuro palco da Copa do Mundo e Olimpiadas, tanto, tanto e mais tantos, nao adianta: o verdadeiro Rio de Janeiro, a alma ingênua, fluida, maleável e genuinamente carioca nasceu talvez muito antes de mim com o samba, a Bossa Nova, a jovem guarda e por aí vai. Mas indo direto ao encontro da minha geração e dos meus pais, vale lembrar: tem coisa mais digna do carioquês nato que o inesquecível Cine Drive-In. Sim, aquele cinema ao ar livre em plena Lagoa Rodrigo de Freitas, em que bastava embicar o carro de qualquer jeito mesmo, apoiar as caixinhas de som nas janelas e viajar por duas horinhas no filme sob à luz da lua. Você se lembra disso? Se não, já deu ao menos para imaginar o charme caótico, mas que no fim dava sempre certo e embalava as noites do entretenimento carioca.
E o que falar do vizinho Tivoli Parque? As montanhas-russas totalmente mal ajambradas, com fortes indicios de alto risco de acidente, o que só colaborava com a adrenalina de se jogar naqueles trilhos. O algodão doce, a pipoca (doce ou salgada, hoje em dia nao se vê mais pipoca doce!), o churros. Sem falar naquelas bolas enormes e coloridas que sempre serviam de prêmio para os vencedores de alguns jogos do parque. Mas porque afinal alguém queria disputar tanto para ganhar aquele trambolho que mal cabia debaixo do braço? Nao sei, mas eu sonhava dia e noite com a maldita bola gigante inteira só pra mim e lógico, sobrava para meu pai aturar.
O Bob's era o máximo! A humilde rede de lanchonete carioca que disputava pau a pau a concorrência com o grande, internacional e rei do fast food mundial Mc Donalds. Mas bem antes disso, uma lanchonete mais despretenciosa ainda, porém muito promissora porque era pura gostosura, surgiu no Rio, mas logo desaparaceu. Era o Gordon! Quem se lembra disso? Ficava em Copacabana, tinha tudo pra dar certo e virar mais uma mega concorrente carioca frente ao gigante M amarelo.
Para os adultos, o Mistura Fina era o coração da cidade. Ali pulsava jazz da melhor qualidade, blues, MPB, uma experiência para poucos. Caro e muito badalado, não era para qualquer um conseguir uma pequena mesa por ali.
O Rio Design só existia no Leblon e se reduzia a imensas e carésimas lojas de móveis, sempre às moscas. Um pé no saco! O Shopping da Gávea ainda mantinha aqueles foguetes e carrinhos de brinquedo espalhados pelos andares. Bastava colocar uma moeda e pronto, a brincadeira rolava solta. O Fashion Mall ainda atraía crianças muito por conta do misterioso e inexplicável palco central. A boa era subir e brincar de Xuxa ou algo mais patético. Depois virou reduto de patricinhas e mauricinhos que marcavam território ao seu redor sabe-se lá porque, mas sem dúvida era um bom ângulo para todos poderem se ver e paquerar.
E o que dizer dos restaurantes (muitos ainda sobreviventes) que reuniram tantas familias e amigos na época. Majórica, Chaika, Gepeto, Alvaros, Marius, Bar Lagoa e ate os incríveis remanescentes Pizzaria Pronto e La Mole (juro que um dia já foram bons). Café da manha? Rio Lisboa, claro. Supermercado? Paes Mendonça (desenterrei). Boate? Hippopotamus, Resumo da Ópera ou para os mais novos como eu, as falecidas Vogue e Mikonos.
Nas praias, o biscoito Globo já andava por lá. Mas também ja começava a chamar atenção o suculé do Claudinho. E quem se lembra do suco mamy? Vinha numa espécie de plástico com canudinho, uma delícia totalmente esquecida.
Tantas lembranças marcantes e mesmo sendo da forma mais simples e precária possível, acabava tudo funcionando. E assim foi surgindo a alma encantadora da cidade. Realmente a beleza sempre foi algo inegavelmente incrível e assim permanecerá por toda a vida. Mas o ar leve, desencanado, descontraído, boêmio e malandro, um tanto abandonado, mas feliz, empobrecido nos bolsos e nas marcas de sol da havaianas nos pés (hoje até virou moda), não importa, aí está o nosso maior encanto: o verdadeiro espírito carioca.
Nesse mesmo Rio, dia após dia convivemos com assaltos, medo, ruas inteiras totalmente à mercê e buracos incontáveis destroem nossos carros. Agora, ainda por cima levamos bueirada na cara, mas não adianta, por menos poético que seja, carioca é como mulher de bandido, apanha, mas ama de qualquer jeito e não abandona jamais. Por isso endeuso e venero esse cantinho todo especial do Brasil: parabéns meu, seu, nosso amado Rio de Janeiro! Aquele abraço!


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Chico, um machista em fúria!

Ontem fui feliz e sorridente ao show do lindo, charmoso, sofisticado, elegante, tudo de bom, Chico Buarque (Bruno, por favor não fique com ciúmes! Ele é inatingível).

Chico novinho e com camisa do Flu! Meu Deus...
Com sua timidez peculiar, ele entrou no palco e realmente deu um show. Eu já esperava por isso, mas ele foi ainda mais além. Chico mostrou seu lado rude, sem medo de dizer palavras pesadas, de cantar frases chocantes, de repetir em refrão barbaridades machistas sobre uma mulher. Ele não estava errado, eu que era ignorante e não pude deixar de me surpreender.

Quando decidi ir ao show, imaginava algo como um banquinho, violão e uma voz única cantando com proeza letras de uma inteligência encantadora. Versos minuciosamente contruídos com tanta sabedoria, que seria impossível não se apaixonar ainda mais por Chico Buarque. É um gênio, mas isso eu já sabia. O que eu não sabia é que Chico era capaz de cantar e vibrar com "Geni e o Zepelin".

Acho que esta deve ser uma de suas músicas mais famosas porque a plateia simplesmente foi à loucura. Mas eu estava totalmente por fora e na minha mente careta e seduzida pela doçura natural de Chico, me choquei, me assustei, não acreditei e por fim, ri, apenas ri, totalmente abobalhada. O que aconteceu com o mais romântico e amante dos homens?

Timidez e elegância foram por água abaixo. A cada suspiro indignado que eu bufava, ele cantava: "joga pedra na Geni, joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!". Oi??? Foi isso que eu ouvi?? Não sei quem é Geni, mas coitada dela! Nenhuma mulher é feita pra apanhar, nem mesmo pra cuspir. Que discrepância imaginar Chico Buarque cuspindo em alguém! Não sei em que contexto ele escreveu essa música e me senti uma total ignorante por nunca tê-la ouvido, mas aquelas palavras não entraram na minha cabeça.

No fim das contas, a música de Chico é tão fora do senso, que fica realmente engraçado presenciar o mais tímido dos tímidos soltando o verbo para uma multidão e se divertindo com o provável único momento sem pudor de sua vida. Afinal, Chico também é gente e passar a vida numa constante elegância deve ser um saco. Quem diria que perder as estribeiras, quebrar o barraco e incorporar um machista mal educado daria mais charme ainda ao Chico. É... Isso é para poucos. Poucos como Chico Buarque.

Infelizmente a foto ficou longe, mas lá está ele com seu banquinho e violão metendo o malho na Geni.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

George Clooney é sempre George Clooney

Não assisti ainda o filme "Tudo pelo Poder", mas já ouvi falar que é muito bom. De qualquer forma, confesso que me bateu um certo desânimo quando soube que um dos atores é George Clooney. Calma, não se assuste! Eu sei que é praticamente uma regra todas as mulheres do mundo serem loucas por ele e que realmente, o cara tem um quê de charme, mas não adianta, não consigo nem olhar para ele, muito menos ouvir sua voz e por isso, assistir um filme do qual ele é protagonista, me faz sentir uma pontinha de angústia.

O problema do George Clooney é que ele é sempre ele. Vou explicar: o cara é um ator, então teoricamente, deveria ser um verdadeiro camaleão, capaz de fazer a plateia acreditar que ele é realmente o candidato à presidência dos Estados Unidos num filme e no outro que é um dos cabeças de uma quadrilha que rouba cassinos. São personagens bem diferentes né? Mas sendo médico, presidente ou ladrão, o George Clooney está sempre com aquela cara e olhar de George Clooney. O tom de voz, o ar de sabichão, sempre dono de uma inteligência superior, o sorrisinho canastrão, charmosão, espertão. Esse é George Clooney em TODOS os filmes.

Sorrisinho de canto do tipo "sou charmoso"
Para explicar melhor, um ótimo exemplo é Tom Cruise. Ok, também acho ele uma graçinha, mas seja interpretando o verdadeiro macho alfa,  mito da sagacidade em Missão Impossível ou o coitadinho com o rosto deformado em Vanilla Sky, não adianta: ele é sempre o Tom Cruise. Ele não consegue se desmembrar do ar de galã e olhar 43 do Tom Cruise. Até mesmo em Colateral, em que ele interpreta um personagem envelhecido, gordo e com cabelos grisalhos, o estigma Tom Cruise continua lá estampado na tela.

Sente o olhar 43!
Muita gente vai querer me matar agora, mas Robert De Niro também é sempre ele. É tão mal humorado, machão, viril e inteligente que acaba sendo um personagem hilário em qualquer filme que atue. É excelente ator, não tenho dúvidas disso, mas a interpretação é sempre a mesma. Acho que em algum momento descobriram esse lado cômico dele e funcionou tão bem, que ele não largou mais. Pode ver Máfia no Divã, Entrando Numa Fria e muitos outros. Robert De Niro é sempre Robert De Niro.
De Niro sempre de olho em você
Se olharmos para os elencos brasileiros, também não faltam atores caricatos por aqui. Vera Fisher, Marcos Pasquim, Bruno Garcia, Christiane Torloni, Claudia Jimenez, Edson Celulari, Eri Johnson e muitos outros.

Para quem eu realmente bato palmas e venero é Johnny Depp e Tom Hanks. São personalidades tão diversas em cada filme, que ninguém premedita como realmente são na vida real. Eu pelo menos não faço ideia e por isso, são muito mais que atores, são artistas. Sim, porque conseguir a mágica de abdicar de sua própria personalidade, manias, expressões cotidianas e quaisquer outras marcas de sua essência e encarnar praticamente uma outra alma, é surrealismo. É arte pura.





terça-feira, 3 de janeiro de 2012

E assim começou 2012



Não usei vermelho, mas 2012 começou com pura paixão. Depois de um ano cheio de encontros e desencontros, expectativas amorosas e desilusões, aos trancos e barrancos e de forma subitamente inesperada, sobrevivi e o novo ano começou muito melhor.

Estava tudo certo para inaugurar 2012 de rosa. O vestido era incrível, perfeito para amar e ser amada. Mas como os dilemas não me abandonaram nem na virada, arranquei-o do corpo com todo o ódio de uma mulher que se sente enorme de gorda e dei a largada para a saga atrás de uma outra roupa com poderes de emagrecimento (tipo ilusão de ótica), que fosse nova e com cor de reveillon, ou seja, impossível!

Revirei todo o armário, gritei, esperneei, fiz poses no espelho tentando enxergar algum ângulo favorável, mas nada dava certo. Eu estava uma baranga! As mulheres sabem bem o que é isso: um belo dia você acorda e o espelho distorce daqui, aumenta dali e pronto, você acredita piamente que é a garota mais pavorosa do mundo. Pois é, esse dia para mim foi exatamente o 31 de dezembro.

Depois de arrancar quase todos os fios do meu cabelo, num esgotamento total e irreversível, me rendi ao único vestido que não queria usar: o verde com azul. Quem em sã consciência passa o reveillon com essas duas cores? As pessoas no geral querem paz. Fora isso, só trocam o tradicional branco se for por um vermelhão, amarelo ou o maldito rosa que tanto me esfolou a paciênca. Mas verde e azul?? Esperança e saúde?? Sim, eu sei que também são importantes, mas eu queria mais, muito mais! Queria intensidade, vibração, força, uma cor totalmente explosiva e arrematadora de bons fluidos. Verde e azul são muito amenos, mas quando só tem tu, vai tu mesmo.

O que eu não sabia é que eu não precisava vestir vermelho ou rosa para ter um ano apaixonante. Mesmo se tivesse nua, o pensamento estava tão derretido pelo namorado, que não existia outra alternativa que não fosse um novo ano repleto de amor e paixão. As cores eram totalmente dispensáveis para um casal tão apaixonado.

A presença surpresa de algumas das melhores amigas também fez da noite uma virada toda especial. As irmãs Muller (Carol e Manu) fizeram meu coração saltitar de alegria quando ligaram avisando que íriam na mesma festa que eu. Por outro lado, Carol Guimarães (sempre a melhor companhia) me proporcionou momentos hilários e registrou fotos históricas e desculpa, mas impublicáveis. As amigas portugas se concentraram em outro grupo, mas também não deixaram de me surpreender com abraços genuinamente amorosos. 

Por uma noite, 2012 me fez acreditar que o mix de azul com verde é o mais novo e intenso dos rosas. Todas as formas de amor de uma vez só. Seja entre amigos, irmãos ou amantes, all you need is love (já profetizava John Lennon).

Dri e Dé arrasando na pista

Amor!

Carolinas lindas!

Embriagadas de alegria!

Show time!

Tudo rosa em 2012!